sábado, 27 de novembro de 2010

Auto-estima



Cinzenta manhã de inverno
Aguça o cheiro da paz
Traz conforto ao ser
Preso atrás dos vitrais.

Singular sentimento
Me deprime ao extremo
Nostalgia me domina
Ouço do meu peito o treno!

Meu coração agora sangra
Minha alma se despedaça
Num segundo sou luz resplandecente,
No outro, da tristeza a fumaça

Ultra-romantismo Crônico
Intrínseco desejo ardente
O mau-do-século me fez assim
Fecho-me e morro de repente...

Transpiro a solidão dos mortos
Nas sombras caio em devaneio
Moribundo nos braços da angústia
Minguante e soturno enleio!

Sou um estranho entre os vivos
Uma árvore retorcida pelo tempo
Espírito perdido na névoa
Espectro guiado pelo vento...

Sou o choro da criança
O desespero num funeral
Sou o último suspiro
A melancolia fatal.

Sou a lágrima que escorre
Sou a brisa que beija a face
O viajante que não retorna
Da saudade o semblante que nasce...

Transpiro a solidão dos mortos
Minha existência enfim se evapora
Como raios prematuros
Na escuridão da aurora!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O rumor de um beijo



O que deveria ser pulsado,
E elevado aos planos delirantes,
É soturno e cobiçado.
Se aomenos fosse em meu semblante...

O doce toque de seus lábios
Meu corpo aguarda ancioso
Um som vazio depois o silêncio
Deixa um vácuo doloroso.

A espectativa ardente de um coração
Se projeta gerando um tufão
De afeto do outro lado do mundo

Ledamente sentindo seu beijo
Volto angustiado de desejo
Caindo em um abismo profundo...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Funeral no passado






Não solte minha mão...
Falta-me preparação para isto.
Pelo contrário, aperte-me o quanto puder,
Sinta o pulsar do meu rubi vital,
Em nosso princípio tangível e belo,
Onde se contempla caules ramificados
Pesando levemente como teus cabelos.

Enquanto repouso em teu seio,
Respirando a imensidão do teu ser,
Mergulhado em um mar de êxtase,
Você pousa sua mão trêmula em minha face,
Atrai meus lábios sugando toda minha lucidez
E me leva ao auge de um delírio...

Já se finda a aurora e aparecem os centelhos,
O que era belo se torna perfeito
Com a chegada da musa prateada
Rodeada por suas guardiãs cintilantes.

Teu cheiro que se exala freneticamente
Misturado ao da relva da floresta agora negra
E ao doce eflúvio noturno
Gera um perfume alucinógeno
Que torna o ser humano indigno de fabricá-lo.
Seu hálito toca meu pescoço
E toma conta do meu ser e das minhas forças...

Vivendo tais lembranças centenas de vezes diariamente
Pergunto-me se ai fui morto e sepultado,
Ou se apenas nunca voltei para casa...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dia de despedida...



Data maldita
Manchada de angústia
Molhada por lágrimas
Infestada de lembranças...

Fim dos mais divinos dias
Separação de unha e carne
Contando passos forçados
Soando como um ponteiro

Corações frente a frente
Se apertando entre beijos
Sendo enxarcados por prantos
De contribuição mútua..

Juras de amor eterno
Soam como o triste canto do alcion
Semblantes comprimidos entre pálidas mãos
Trêmulos arquejos escapando dos pulmões

Convicção extrema... Se passaram os melhores dias
Porém por serem tão belos não foram os últimos
E se pela força da distância você se ausenta,
Pela força que há na saudade eu voltarei...



Garanhuns, 30 de Agosto de 2010.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

À T...





Amoroso palor meu rosto inunda,
Mórbida languidez me banha os olhos,
Ardem sem sono as pálpebras doridas,
Convulsivo tremor meu corpo vibra:
Quanto sofro por ti! Nas longas noites
Adoeço de amor e de desejos
E nos meus olhos desmaiando passa
A imagem voluptuosa da ventura...
Eu sinto-a de paixão encher a brisa,
Embalsamar a noite e o céu sem nuvens,
E ela mesma suave descorando

Os alvacentos véus soltar do colo,
Cheirosas flores desparzir sorrindo
Da mágica cintura.
Sinto na fronte pétalas de flores,
Sinto-as nos lábios e de amor suspiro.
Mas flores e perfumes embriagam,
E no fogo da febre, e em meu delírio
Embebem na minh'alma enamorada
Delicioso veneno

Estrela de mistério! Em tua fronte
Os céus revela, e mostra-me na terra,
Como um anjo que dorme, a tua imagem
E teus encantos onde amor estende
Nessa morena tez a cor de rosa
Meu amor, minha vida, eu sofro tanto!
O fogo de teus olhos me fascina,
O langor de teus olhos me enlanguesce,
Cada suspiro que te abala o seio
Vem no meu peito enlouquecer minh'alma!

Ah! vem, pálida virgem, se tens pena
De quem morre por ti, e morre amando,
Dá vida em teu alento à minha vida,
Une nos lábios meus minh'alma à tua!
Eu quero ao pé de ti sentir o mundo
Na tua alma infantil; na tua fronte
Beijar a luz de Deus; nos teus suspiros
Sentir as vibrações do paraíso;
E a teus pés, de joelhos, crer ainda
Que não mente o amor que um anjo inspira,
Que eu posso na tu'alma ser ditoso,
Beijar-te nos cabelos soluçando
E no teu seio ser feliz morrendo!

(Álvares de Azevedo)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Caronte




À desposição dos condenados
Ele aguarda frigidamente
O seu preço é de duas moedas
Vendo-as, seus olhos brilham gananciosamente.

Envolto com negras vestimentas
Compridas e descendo em dobradura.
Pele enrugada por milênios de plantão
Expressão ímpia, olhar sem candura...

Sentinela lúgubre e solitária
Privado do amor e da luz
Afastado de desejos carnais
Ele apenas conduz...

Conduz pela escuridão ao som de remos
Que acariciam as águas em sua bela essência
Águas negras repletas de sonhos e esperanças
Não realizados e apagados da existência.

Descanse o sono perfeito
Com moedas sobre os olhos postas
Caso contrário vagará perdido
Com esperança e sanidade mortas...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Embriaguez




Astro inspirador
Funeral draconiano
Luz resplandecente
Enleios insanos

Ebriedade dominante
Doses exageradas
Devaneios noturnos
Dores restauradas...

Cândida musa
Amor platônico
Intrínseco desejo
Romance cômico

Sentimento infinito
Compreensão rançosa
Conformidade demorada
Eternidade dolorosa...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Angústia insensata




As horas não passam
Insanidade me perturba
Olho minhas mãos
Dedos retorcendo de agonia
E as horas não passam...

Agonia suprema
Arde no meu peito
Chegando na garganta
Me arrancando berros
E as horas não passam...

Suor frio se escorre
Loucura em minha mente
Girando e me tapando os ouvidos
Silêncio que me rasga a alma
E as horas não passam...

Abro meus olhos
Reparo as paredes brancas
Olho na janela e já é dia
Olho no relógio...
E este estava parado!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Delírio




Ouço o uivar do vento
Agitando as folhas até que seu rumo tome
Ouço o meu coração
A cada batida sussurrar teu nome...

No meio da noite gélida
Sinto meu peito enrijecer de frio
Acordo soturno e delirante
E na minha alma ledo arrepio

Arquejos me dominaram, não acreditei...
Quando ao meu lado vi a tua forma branca e nua
Lhe contemplei adormecida como um anjo
Com os seios refletindo o clarão da lua

Perguntei-me como poderia
Existir criatura tão sensível e bela
Imaginei acariciar tua pele
Como se fosse surtar por ela!

Envolvi meu braço em tua cintura
Volúpia eterna meu corpo invadiu
Toquei seu queixo e lhe dei um beijo
Suas mãos se mecheram, desejo que sentiu

Só você consegue me arrancar
Delírios e suspiros descontrolados
E ao me ver perto de ti
Sinto meus olhos emocionados

Nesta noite deixastes rastros em meus punhos
Que quando viram você sumir, contra paredes se chocaram
E consequentemente em minha pobre garganta
Que lhe vociferou até que suas forças se esgotaram...

terça-feira, 30 de março de 2010

Virgem Fluídica




Minguante e alva figura
Transpira doçura e serenidade
Morreria em teus lábios com um beijo
Que simula alegria pela eternidade.

Anseio acariciar a tua face
Vislumbrar a pele de porcelana
Apertar-te contra meu corpo
E sentirá meu coração que lhe chama.

Queria poder lhe encontrar
Para do teu amor desfrutar,
Oh intangível anjo do céu...

Creio ser insanidade minha
Esperança que agora se definha
Se você aomenos saísse do papel...

Encontro Noturno



Siga-me pela escuridão
Admire a noite e a lua
Sinta o cheiro da liberdade
Ouça os cães ladrarem na rua

Caminhamos pela colina
Onde uivante é o vento
Deixe-o correr pelo seu corpo
Sem nenhuma pressa ou certo tempo

Repare na beleza do céu
Olhe cada ponto sintilante
E os mesmos são tão belos
Como o teu próprio semblante!

Aproxima-te de mim
Oh cândida donzela
Me abrace e sinta o meu perfume
Mesclado com o da noite singela

E se por um instante
Um ardente desejo lhe consome
Peço-lhe que não o reprima
Quando minha boca murmurar teu nome...

Se deixe levar pela volúpia noturna
E que as cobiças sejam o teu fervor
Pedaços de tecido são totalmente fúteis
Quando se chega a tal ponto no amor...

domingo, 28 de março de 2010

Precaução incerta...




Aproveite a tranquilidade de hoje
E cada sorrizo de momentos de felicidade
Desfrute até da última gota de volúpia
E prepare-se para o maior espetáculo da humanidade!

Terás que matar para não ser morto
Cada um por si... você e a sua lâmina
Cabeças terão que rolar
Para não ter que se suprir de pura lama...

Verá pessoas queridas apodrecendo
Surtando de agonia a ponto de fazer careta
Ou você segue em frente
Ou será mais um dos cadáveres espalhados pelo planeta.

Coisas assim são muito incertas
Você escolhe se acredita ou não
Os que acertarem irão triunfar
E os que errarem serão pisados no chão...

sábado, 27 de março de 2010

Tributo...

Este poema foi escrito por um grande amigo meu: Michael D.
Pelo contexto e pelos fatos do mesmo eu tive a ideia de fazer uma resposta à ele, falei com o autor e ele gostou da ideia. Resolvi postar ambos os dois aqui para saber a opinião de todos.
Na sequência seguem o poema e sua resposta...



Canto do alcion


Por anos almejei reencontrá-la
Sendo guiado apenas por amor em meu coração
Mas quase destruido por amargura
Saudades, lamúria e pura aflição...

Quantas vezes debrucei em prantos
Sonhando com o dia que voltasse pra mim
Por não tê-la em meus braços
Para que tudo viesse a ser normal enfim.

Mas em um dia qualquer como outro
Meu coração me disse para ir te buscar
Antes que fosse tarde demais
Antes que meus olhos comecem a sangrar...

Parti...

Antes do por do sol
Caiu a noite, minh'alma em chamas
Coração convicto
Qua por ti clama!

Me disseram que tinhas ido para outra cidade
Segui atentamente os passos teus
E em solidão decepcionado, minha vida em calamidades
Não sei se seus olhos querem reencontrar os meus.

Ontem encontrei uma pessoa que me falou de ti
Felicidade brota em meu coração
Me disse que sabia onde tu moravas
Lancei jornada, mesmo a temer que seja ficção...

Chegando vi uma mulher,
Não era você...

Conversamos muito, e ela me entregou uma carta
E me disse o local de sua morada
Lágrimas escorreram por minha face
Lamento semi-eterno, dor que eu esperava

Entrei no carro e voltei para casa
Estava exausto, iria te ver no dia seguinte
Já que esperei vários anos, um dia não faria diferença
Meus sentimentos me perturbarão, mas não fará sentença.

Cheguei, este é o endereço que a mulher me dera...

Apesar de tudo, é um prazer revê-la
Conversei muito tempo com você
Voltei vários outros dias
Sempre a conversar

Infelizmente hoje é o último dia que venho
Deixei um presente para você
Várias flores, as suas favoritas
Coloquei em seu túmulo...

Sentirei saudades, amor!
Adeus...



Resposta...


Carta satisfatória


Meu amor...

Se esta carta estiver lendo
Provavelmente já estou apodrecendo
À sete palmos, num alvo caixão
Tentei antecipadamente avisar
Mas não consegui aguentar
E deixei esta carta por precaução.

Sai antes mesmo de me sentar à mesa
Pois desejava lhe fazer uma surpresa,
Eu estava animada, sem nenhum desalento
Para mim era um dia ditoso
Pois iria comprar algo valioso...
As alianças para o nosso casamento!

Escolhi as mais belas da joalheria
Pois sei que lhe agradaria
E de lá saí descontraida.
Atravessando a rua em devaneios
Um carro desgovernado e sem freios
Atirou-me no chão quase sem vida...

Em um hospital eu acordei
Cai em prantos pois não acreditei
Era o fim de nosso sonho fraternal...
Eu em um quarto morrendo
E você nem estava sabendo
De nosso trágico final.

O único desejo que arde no peito meu
É deixar este mundo com um beijo seu
Assim eu passaria feliz toda a eternidade...
Mas esperar eu não aguentarei
E pela eternidade triste eu vagarei
Sem nenhuma centelha de felicidade!

Agora despeço-me com um buraco no peito
Espero que me perdoe por ter sido desse jeito
Ja sinto falta do calor dos braços teus...
Partindo, aflitamente o teu nome eu chamo
Para que nunca se esqueça que mais do que tudo eu te amo
Sentirei saudades amor... adeus!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Lânguidos sonhos



Era noite, eu sonhava
E do meio da neblina ela saia
Doce eflúvio me invade a alma...
Ela veio até mim e me tocou com sua mão fria.

Eu a desejava profundamente
Porém impedido pela incerteza
Em um instante estava me afogando em um beijo
E pude ver sua alma com clareza...

Acordei com um ledo sorrizo
Que desapareceu quando meus olhos eu abri
Pois só viram meu quarto escuro
Decepção flagelante... quase morri!

Malditos sonhos que me atormentam
Que fazem meu coração mais forte bater
Pois os mesmos dão à ele
A esperança de algum dia poder a ter...

Ilusão



Oh mulher tão delicada de voz meiga ao falar
Que causa volúpia comum simples olhar
Com seus lindos cabelos que se agitam ao desfilar
É como viver no escuro,
Escoldido de todo o mundo,
E de repente a luz do sol os olhos lhe cegar!

Oh candida mulher de pele alva e macia
Cuja tuas mãos frias
Com um só toque me fazem sonhar...
Sua beleza é tanta
Que a todos encanta
E que me faz por ela apaixonar!

Os teus olhos a luz divina espalham
Enquanto os meus de perto lhe encaram
Cobiçando teus lábios, com vontade de te beijar...
Estes são doces como mél
E por um segundo puderam me levar ao céu
Quem me dera se eu pudesse te amar?!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Dúvida Metódica



Quando ao fim de um belo crepúsculo
Doces lembranças me invadem a mente
Leve surto me percorre a alma
Recordando pálidos dias de amor ardente...

Dias em que meu coração demente
Macerava meu peito morto
Como o cadáver de um marujo
Deixado por um navio no porto.

Pergunto-me se o egoísmo me consumiu
E se somente o meu peito se abriu
Para este amor sem fim...

Ou se em uma noite de angústia e medo
Derramastes em segredo
Uma triste lágrima por mim?!

Desejos íntimos





Tenho mãos que ardentemente
Desejam encontrar as suas eternamente
E acariciá-las ao longo do tempo.
Almejo em um ato de ternura
Abraçar-te fortemente com leda loucura
Antes que se cale o meu passamento...

Desejo no fundo dos olhos olhar-te
Apreciar o brilho como uma obra de arte
E beijar ternamente os lábios teus.
Desejo no teu ombro descansar,
E ao seu ouvido recitar
Um dos tristes versos meus.

Quero ainda ao som de um violão
Cantar-lhe uma monótona canção
Na qual somente o teu nome eu chamo.
E depois observar as estrelas no céu
Envoltas por denso e sombrio véu
E ao fim de tudo isso dizer-te num sussurro (te amo!)


>>>Dedicado à Marianne...