quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Funeral no passado






Não solte minha mão...
Falta-me preparação para isto.
Pelo contrário, aperte-me o quanto puder,
Sinta o pulsar do meu rubi vital,
Em nosso princípio tangível e belo,
Onde se contempla caules ramificados
Pesando levemente como teus cabelos.

Enquanto repouso em teu seio,
Respirando a imensidão do teu ser,
Mergulhado em um mar de êxtase,
Você pousa sua mão trêmula em minha face,
Atrai meus lábios sugando toda minha lucidez
E me leva ao auge de um delírio...

Já se finda a aurora e aparecem os centelhos,
O que era belo se torna perfeito
Com a chegada da musa prateada
Rodeada por suas guardiãs cintilantes.

Teu cheiro que se exala freneticamente
Misturado ao da relva da floresta agora negra
E ao doce eflúvio noturno
Gera um perfume alucinógeno
Que torna o ser humano indigno de fabricá-lo.
Seu hálito toca meu pescoço
E toma conta do meu ser e das minhas forças...

Vivendo tais lembranças centenas de vezes diariamente
Pergunto-me se ai fui morto e sepultado,
Ou se apenas nunca voltei para casa...

Um comentário:

maite disse...

Eita Thiago, não sei como vc dá conta de fazer esses seus poemas perfeitíssimos! adorei
ficou d+++++....