segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Outono




Leve folha de outono,
Frágil e moribunda aguarda...
Como passos no corredor da morte
Fartos em experiência e conformação.

A sua seiva foi escoada,
Sua juventude está ausente
Mas sua beleza permanece intacta
Ou mais intensa aos olhos de alguns...

Velha e cansada ela se despede
Desprendendo-se do que foi parte de si
Caindo, observa e sorri para o que está em cima
Vendo seu jovem legado florescer.

A estação que transpira sabedoria
E traz aceitação com ordem e maturidade.
A queda esperada pelos transcedentes
E a partida de grandes gênios...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lembrança





Seu olhar taciturno me queima
E perante a gélida brisa marca
Em meus ossos seus traços finos
Mesmo esquecida ainda estará ali...

De dentro para fora a tua lembrança
Cravada em meu corpo profundamente.
O vislumbre de teus lábios macios,
E sua pele refletindo a luz da lua.

Na dor da despedida de seu toque
Meu elástico espírito a leva
Consumindo toda e qualquer lembrança
Como consolo para sua injúria.

Restam laços frios e sensíveis
Sob o cheiro da noite intensificados
Memórias frágeis do toque de sua pele
Que marcou belos e inspiradores dias...

Início



No início de toda a penúria
Em que sentia-se o peso esmagador
A sádica intensidade me consumia
Ao contemplar seu amoroso palor...

E quando a intangibilidade
Macerava com sua mórbida presença
Linhas de sangue esvaiam-se
Cobrando fielmente sua sentença.

Todo o desejo livre e estagnado
Amordaçando o acaso pertubador
Queima em meu peito a tua imagem
Surge adiante tua face em vapor

No início o teu nome em meus sussurros,
Quando aos lábios me escapava o sentimento...
No início a minha ingênua esperança,
Aguardando aceitação por um momento...

sábado, 15 de outubro de 2011

Turva Beleza



Turva e lânguida beleza
De cores neutras e frias
Como doce chuva de inverno
Estimada em preciosas iguarias

Porque arqueja-me turva beleza,
Se em tão frágil seda me encontro?
Palpitante e fascinado de desejo
Absorvo-me, desfalecendo devaneio adentro...

Encontro-me em teu ser
Sem moderação, sem me conter
Perdido em sua imensidão...

Seu doce cheiro inalando
O ar dos pulmões se acabando
Bate em meu peito o seu coração...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Rubro Negro




Rubro negro é o sorriso que surpreende
A minha espectativa de certos contatos
Arranha e macera meus laços constantes
Sugando e forçando devaneios inatos

E levados pela volúpia sedemos
Como folhas do outono soltas
Ao levar do vento gélido
Agarrando desejos e frases envoltas.

É a escala eólica bela e triste
Que implora para ser executada
Sutil e bela não resiste
Fria e calculista nos deixa reservada

São os sentidos frágeis
Que nos envolvem persuasivos,
Atacam as adversas resistências
Sugerindo toques afetivos...

Rubro negro é o poema maldito
Que associado à uma lúgubre cor
Traz inúmeros versos e aromas
Ao seu sugestivo criador...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Desfecho



Eis que presenciei
Comi, bebi e amei
O júbilo negro e falso
Que me inspirava,
Atraía e aluscinava
Deixando-me em seu encalço.

Cândida esperança dos doces delírios
Perfumada e banhada em lírios.
Esperando sedento uma brecha
O seu desfecho se adiantou
A sua glória sessou
E a sua cortina agora se fecha.

Em meio ao breve nevoeiro
Surge uma sombra ágil como sineiro
E ao meu peito sequioso da fervor.
Silenciou toda a minha apreensão
Deu conforto ao meu coração
Ao contemplar seu lúgubre palor.

Sombra do além que deu
Aos meus olhos o que é meu
E assistir ao fim do espetáculo veio.
Pairando assim sobre meu discernimento,
Não sei se interferiu por um momento,
Não sei se lhe amo ou odeio...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Anjo Delinquente




Dai-me a glória desta aventura
Além dos limites do desejo
Deite-se no mais profundo do meu ser,
Tua face marcada de ternura eu vejo...

Envolto por suas asas negras
Pergunto-me como pode haver
Criatura tão bela e tangível
Que contorna e inebria meu ser.

À extensão do meu espírito
Para que ele enfim se contente
Derramai-lhe amor e canto
Oh meu anjo delinquente...

A gélida brisa noturna me toca
Teu gosto arde em meus lábios aflitos
Meu anjo sumiu e à vigília retornei
De tal sonho perfeito e maldito...

domingo, 4 de setembro de 2011

A Face Oculta



O que vês, caro bardo?
Se teu foco é tão distante,
Faz-se presente em tal episódio
Pairando leve por um instante...

Vejo duas grandes potências
Que cintilam e sugam a tua vigília,
Como vórtices luminosos
Formando até ele atraente trilha.

Vejo ainda um alvo véu
Que engloba tal grandeza,
Como frágil e fina porcelana
Solitária e sensível sobre a mesa.

Tal admiração, tão intrínseca
Pode ser apenas por bela criatura,
A qual não me chega aos olhos,
Não em tão boa ventura.

Pois olhe com os olhos da alma
A sutil beleza condensada
Veja! Não lhe faz estremecer
Este olhar que lhe suga e apaga?!

Vejo uma figura feminina
Comum como o restante
Esta beleza está em teus olhos, meu caro
Ainda vejo o fascínio em teu semblante.

Então mil beijos almejo pregar
Nos lábios daquela que despertou
A beleza sutil e solitária
Que em meus olhos morou.

Vento das montanhas que corta o horizonte
Levai à minha musa meus beijos e amores,
Dai-lhe noção de minha existência
Antes que tua essência feneça como as flores...

sábado, 9 de julho de 2011

Alheios



Lirismo do tépido sentimento
Atrai os intensos e sutís
Da-lhes orbita e inspiração
Repugnante à carnais e vís.

Ardente a noite em ledo desconforto
Sentencia o vigor cardíaco
Que observa sua atenção,
Faz-se em breve maníaco...

Gestos e suspiros observados
Poder e mãos atracados
Impedido e frustrado teu pensamento...

O olhar unicamente valorizado
Age frenético e obcecado
No passar de um único momento.

Calmaria



Penúria da lírica ilusão
Desfaz-se em iluminuras
De cristais frágeis e virgens
Admirados previamente.

Prazer obsoleto e inspirador,
Mesmo dubitado marca
A essência diária dos seres
Da existência ínfima e simples...

A partícula sobre a águia
Entre adrenalina e brisas
Desfruta de elixir e liberdade
Constante e as vezes solitária...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Origem



I

Um raio perdido no horizonte
Perambula lânguido, porque caiu?
Deleita-se em pecúlios ilusórios
Inebriado e lastimado fecha-se.

Uma estrela nasce nos céus
Com brilho doce e inerente
Instiga e reluz sutil chama
Eclipsando o próprio astro leonino.

Arrastando-se por terra, raízes e minérios
O filho de Zeus segue míope
Macerado e rasgado por miragens
Torna-se lúgubre e denso

Profunda ramificação suga teu ser
O maldito sobe à superfície por caule liso e espinhoso
Expandindo ou retraindo-se através desta quimera
Adquire auto-observação e crítica.

II

Centelho do infinito arqueja-me
Seduz frenética cobiça
Transpira evolução e magnitude
Gerando obcessões ludibriadoras.

O ágil crava-se na terra
E alcança superfícies reveladoras
Floresce e descobre lucidez
Ou paixão à realidade astróloga

Fascínio lhe percorre os brotos
De doce e bela seiva apresciada
Expressa teu fervor em aromas divinos,
Aquecendo a intensidade...

Ligação sutil se incendeia
Torna-se plena e coberta de razão
Consome toda sua sanidade
Percorre suas veias contraditoriamente.

Imediatamente entendem sua existência
Voltando juntos à sua origem
Não fosse a queda e a dúvida
Estariam ainda se corroendo...