quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Rubro Negro




Rubro negro é o sorriso que surpreende
A minha espectativa de certos contatos
Arranha e macera meus laços constantes
Sugando e forçando devaneios inatos

E levados pela volúpia sedemos
Como folhas do outono soltas
Ao levar do vento gélido
Agarrando desejos e frases envoltas.

É a escala eólica bela e triste
Que implora para ser executada
Sutil e bela não resiste
Fria e calculista nos deixa reservada

São os sentidos frágeis
Que nos envolvem persuasivos,
Atacam as adversas resistências
Sugerindo toques afetivos...

Rubro negro é o poema maldito
Que associado à uma lúgubre cor
Traz inúmeros versos e aromas
Ao seu sugestivo criador...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Desfecho



Eis que presenciei
Comi, bebi e amei
O júbilo negro e falso
Que me inspirava,
Atraía e aluscinava
Deixando-me em seu encalço.

Cândida esperança dos doces delírios
Perfumada e banhada em lírios.
Esperando sedento uma brecha
O seu desfecho se adiantou
A sua glória sessou
E a sua cortina agora se fecha.

Em meio ao breve nevoeiro
Surge uma sombra ágil como sineiro
E ao meu peito sequioso da fervor.
Silenciou toda a minha apreensão
Deu conforto ao meu coração
Ao contemplar seu lúgubre palor.

Sombra do além que deu
Aos meus olhos o que é meu
E assistir ao fim do espetáculo veio.
Pairando assim sobre meu discernimento,
Não sei se interferiu por um momento,
Não sei se lhe amo ou odeio...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Anjo Delinquente




Dai-me a glória desta aventura
Além dos limites do desejo
Deite-se no mais profundo do meu ser,
Tua face marcada de ternura eu vejo...

Envolto por suas asas negras
Pergunto-me como pode haver
Criatura tão bela e tangível
Que contorna e inebria meu ser.

À extensão do meu espírito
Para que ele enfim se contente
Derramai-lhe amor e canto
Oh meu anjo delinquente...

A gélida brisa noturna me toca
Teu gosto arde em meus lábios aflitos
Meu anjo sumiu e à vigília retornei
De tal sonho perfeito e maldito...

domingo, 4 de setembro de 2011

A Face Oculta



O que vês, caro bardo?
Se teu foco é tão distante,
Faz-se presente em tal episódio
Pairando leve por um instante...

Vejo duas grandes potências
Que cintilam e sugam a tua vigília,
Como vórtices luminosos
Formando até ele atraente trilha.

Vejo ainda um alvo véu
Que engloba tal grandeza,
Como frágil e fina porcelana
Solitária e sensível sobre a mesa.

Tal admiração, tão intrínseca
Pode ser apenas por bela criatura,
A qual não me chega aos olhos,
Não em tão boa ventura.

Pois olhe com os olhos da alma
A sutil beleza condensada
Veja! Não lhe faz estremecer
Este olhar que lhe suga e apaga?!

Vejo uma figura feminina
Comum como o restante
Esta beleza está em teus olhos, meu caro
Ainda vejo o fascínio em teu semblante.

Então mil beijos almejo pregar
Nos lábios daquela que despertou
A beleza sutil e solitária
Que em meus olhos morou.

Vento das montanhas que corta o horizonte
Levai à minha musa meus beijos e amores,
Dai-lhe noção de minha existência
Antes que tua essência feneça como as flores...